Magali descobriu o primeiro nódulo no seio em 2002 ao fazer o autoexame. De início, a notícia foi devastadora. “Eu fiquei sem chão, chorava dia e noite”, conta. Foi necessário fazer uma cirurgia para a remoção do nódulo – seria a primeira de seis em dez anos. Ela não estava sozinha na luta contra a doença: a mãe e a irmã também tiveram câncer de mama.

A força para enfrentar o câncer veio da fé e do talento. Para passar o tempo e espantar a solidão, Magali começou a pintar os móveis da casa e se descobriu artesã. Quando terminou o tratamento do primeiro nódulo, já tinha renovado a casa toda. E não parou mais. Fez cursos de cestaria com jornal, crochê, mosaico com casca de ovo... Em 2007 fundou o Projeto Mulher Reciclando, onde voluntários oferecem aulas de técnicas artesanais para mulheres da comunidade Malvina, em Macaé, RJ.

Magali Machado e artesãs
Magali Machado e as artesãs do Promur em oficina

Em 2012, com o diagnóstico do sexto nódulo, os médicos indicaram uma solução mais radical: a retirada das duas mamas. Se em 2015 essa decisão foi polêmica até para a atriz hollywoodiana Angelina Jolie, como foi para a artesã Magali? Um alívio.

 “Foi bom porque não teve tempo do câncer se espalhar. Fiquei com duas cicatrizes, mas tenho o apoio do meu marido e não vejo problema nenhum. Não coloquei a prótese de silicone e não me incomodo”.

O câncer de mama é o segundo mais comum em mulheres. No Brasil são quase 60 mil novos casos por ano. Quando o diagnóstico é feito no início, a chance de cura é de 95%. Por isso fazer é preciso fazer o autoexame sempre e procurar ao médico a qualquer sinal de alteração nas mamas. Magali incluiu o autoexame e o acompanhamento médico na rotina e procura alertar outras mulheres. “Fazer o autoexame é importante para descobrir qualquer problema o mais cedo possível”.