Proteção ambiental não é sinônimo de baixa lucratividade, afirma Apple

6/11/2018

A vice-presidente de meio ambiente, política e iniciativas sociais da Apple, Lisa Jackson, palestrou na maior conferência de tecnologia do mundo, a Web Summit 2018 em 05 de novembro. Em sua fala, defendeu que ter preocupação ambiental e social não impede que a empresa tenha lucro.  “É falsa a ideia de que é preciso escolher entre ter lucro e salvar o meio ambiente”, afirmou a executiva.

Ela, que chefiou a agência de proteção ambiental americana durante o governo Obama, diz que, agora dentro uma gigante de tecnologia, tem certeza que as empresas são fundamentais para produzir mudanças positivas no mundo.

Investimentos da Apple no meio ambiente

“Estou sentada na primeira fileira e sou testemunha do progresso da política ambiental em nosso planeta e nos nossos lucros”, diz Lisa.

A Apple, de acordo com a vice-presidente, nos últimos dois anos já investiu US$2,5 bilhões em títulos de créditos destinados ao financiamento de iniciativas sustentáveis.

No começo desse ano, a companhia anunciou que todos os seus escritórios, data centers e lojas usam energias limpas. Não apenas em território americano, mas nos 47 países que opera. Desde 2014, 100% dos data centers funcionam com energia renovável e, de 2011 até agora, os projetos de sustentabilidade da Apple reduziram em 52% a emissão de CO2e na atmosfera – responsável pelo efeito estufa.

Painéis solares da Apple no Japão
Painéis solares da Apple no Japão

O objetivo da empresa mais valiosa do mundo é ser exemplo para outras. Dos seus fornecedores 23 também assumiram o compromisso de adotar o uso de energia renovável em todas as operações. Sua meta é que toda sua cadeia produtiva atue da mesma forma. Por isso, de acordo com Lisa, a Apple irá investir na geração sustentável de eletricidade para as pesquisas de novas soluções e implementação de usinas na China.

E a poluição da cadeia do alumínio usado nos produtos Apple?

Através de parceria com a Alcoa e Rio Tinto, a Apple pretende encontrar modos de produção mais sustentáveis e desenvolver meios de fundir o alumínio que elimine a emissão direta de gases de efeito estufa. “A cadeia de alumínio é poluente, e usamos os mesmos métodos há mais de cem anos”,afirma Lisa. 

A exploração do planeta para retirada de novos materiais também está com os dias contados. A empresa tem como objetivo não extrair mais novos materiais. “Temos também dois robôs que desmontam iPhones usados, para retirar os elementos valiosos de dentro deles e reciclá-los”, afirma Lisa.

Uma Economia Circular em construção

A Apple entende que o futuro dos negócios está mudando e que sem proteger o meio ambiente o futuro de todos estará comprometido. “Podemos investir no nosso planeta enquanto investimos no negócio. Para isso, precisamos investir em transformação e inovação”, diz a vice-presidente de meio ambiente, política e iniciativas sociais da companhia.

O próximo passo será a implantação de uma cadeia de devolução dos aparelhos que estão sem uso. Desse modo, mais aparelhos como o recém lançado MacBook Air poderão ser feitos com técnicas de upcycling que devolve itens descartados à produção para que voltem a ser matéria-prima.

Para a executiva, governos e empresas deverão andar lado alado para lidar com problemas ambientais como as mudanças climáticas.

Educação e empoderamento femino

O tripé sustentável – ambiental, econômico e social –estaria capenga na organização se ela também não estivesse preocupada com questões sociais. Lisa, em sua apresentação, afirmou que "Temos muitas perguntas que ainda estão sem resposta, e não conseguiremos encontrá-las sem educação ousem educar as meninas. Não acharemos as soluções das quais precisamos sem as mulheres”.E sinalizou que a Apple iniciou uma parceria com a Malala Found para levar 100 mil meninas à escola.