Relatório Planeta Vivo 2018 sinaliza que o desmatamento da Amazônia chegou a 20% e do cerrado brasileiro a 50% em menos de 50 anos

31/10/2018

Os números do título chocam. Eles indicam que precisamos repensar nosso legado ao Planeta e refletir sobre as causas desse desmatamento. São dados do relatório global sobre a vida na Terra lançado hoje, 30 de novembro de 2018, pela WWF (Fundo Mundial para a Natureza, sigla em inglês).

No Relatório Planeta Vivo 2018 (Living Planet Report)a organização apresentou os dados de todo o mundo. Ele é um estudo bienal e nos sinaliza que estamos esgotando globalmente os recursos naturais que tornam sustentável a sobrevivência humana na Terra. No Brasil o cenário é bastante alarmante. Desmatamos de 1970 para cá 20% da Floresta Amazônica e 50% do nosso cerrado.

Consequências aos animais

Destruir o biomas tão importantes para o país traz danos diretos as espécies que vivem aqui. Os macacos uacari e muriqui-do-sul, a ave jandaia-amarela,o tatu-bola e o boto são alguns dos animais que estão na lista  extinção por causa do desmatamento apresentadas no relatório atual.

Uacari | Foto/Reprodução: Flickr via Evolua Homo Sapiens
Muriqui-do-sul | Foto: Muriqui – Peter Schoen – WikiCommons
Jandaia-amarela | Foto: Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
Tatu-bola | Fonte: Ministério do Meio Ambiente
Boto | Foto: Divulgação/Instituto Araguaia

Em nível global já perdemos mais de 22% dos mamíferos e 83% dos animais de água doce nos últimos 48 anos. Nesse período houve um declínio de 52% dos mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios que habitavam a terra. O documento sinaliza que para a natureza se recuperar dos estragos que a humanidade vem causando as outras espécies ela precisaria de 6 milhões de anos.

"Preservar a natureza não é apenas proteger os tigres, pandas, baleias e animais que apreciamos. É muito mais: não pode haver um futuro saudável e próspero para os homens em um planeta com o clima desestabilizado, os oceanos sujos, os solos degradados e as matas vazias, um planeta despojado de sua biodiversidade."  Marco Lambertini – diretor geral da WWF.

Crise hídrica nacional

O WWF alerta que o desmatamento que vem acontecendo no Brasil afeta, além da vida animal, a oferta de água doce. A consequência de desmatar o Cerrado e a Amazônia é a crescente estiagem de água que vem afetando várias regiões do país.

Os principais mananciais da malha hidrográfica brasileira ficam justamente nos espaços mais devastados da nossa biodiversidade.

Nosso cerrado, a savana brasileira

O Ministério de Meio Ambiente divulgou em julho desse ano que a extensão da devastação do cerrado brasileiro era de 80 mil km². O mapeamento da área atingida foi feito via satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A região é o local de expansão do agronegócio no país. Os Estados do Maranhão, Piauí e Bahia correspondem a 62% dos quilômetros perdidos e são os lugares de maior devastação, de acordo com o pesquisador Claudio Almeida.

Áreas de conservação nacional

Um modo de frear esse constante desmatamento é a expansão das áreas de conservação da biodiversidade brasileira. A ONU tem como meta a proteção de 17% dos ecossistemas de cada país. O Brasil, responsável pela maior biodiversidade do mundo, tem apenas 8% do cerrado protegido e 2% do Pantanal.

A responsabilidade do Brasil com o mundo

Somos o país com a maior biodiversidade mundial. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente,  temos mais de 103.870 espécies animais e 43.020 espécies vegetais conhecidas em nosso território. Nossos seis biomas terrestres - floresta amazônica, o Pantanal,o Cerrado, a Caatinga, os campos dos Pampas e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica – e os nossos três ecossistemas marinhos com 3,5 milhões de km² precisam ser protegidos.

O Relatório Planeta Vivo 2018 sinaliza que hoje degradamos três vezes mais o planeta do que em 1970. Uma das grandes causas apontadas é o consumismo e os modos de produção do que compramos. De acordo com o Panorama do Consumo Consciente no Brasil, feito pelo Instituto Akatu, 38% dos brasileiros são considerados consumidores conscientes. Dos quais a maioria são mulheres com mais de 65 anos. Um número ainda muito pequeno e que não atinge aos mais jovens.

É tempo de avaliarmos esses números e traçarmos planos de ação responsáveis e efetivos. As gerações mais novas precisam ter em mãos os alertas dos impactos do nosso consumo no meio ambiente. Podemos ser os maiores em biodiversidade, mas precisamos diminuir o desmatamento com políticas sérias de cuidado com o que temos, desacelerar o nosso consumismo e reduzir o desperdício na produção de alimentos e bens demais bens de consumo.

Principais fontes: Uol notícias, WWF Brasil e Ministério do Meio Ambiente.